
Flor de Cactus rompe hiato de 38 anos e lança novo disco com apoio da Cepe
Compartilhe esse post
Uma banda recifense criada no início dos anos 1970, Flor de Cactus, rompe jejum de quase 40 anos para lançar um trabalho primoroso, o CD Brincando com o tempo, que traz composições de nomes conhecidos como Lenine e Zeh Rocha. O disco vem encartado na edição de abril da Revista Continente, publicação da Companhia Editora de Pernambuco, viabilizado a partir do apoio cultural da Cepe.
A banda já teve várias configurações desde 1973, quando foi formada por três amigos: André Lôbo, Plínio Santos e Zeh Rocha, cujo objetivo imediato era tocar no Festival de Música do Colégio de Aplicação do Recife. Logo nas primeiras canções ficava evidente a influência da cultura popular pernambucana na identidade deles, tanto nas letras como nas melodias.
Em 1979, gravaram um compacto simples, já com novos integrantes, além dos três primeiros: Cacá Barreto, Lenine, Mário Lôbo e Ségio Campello. A música do lado A era Festejo, composta por Zeh Rocha e André Lobo; e no lado B Giração, de Lenine. Em 1980, o grupo Flor de Cactus foi extinto, quando os integrantes resolveram se dedicar a projetos pessoais. Mas a amizade continuou e os encontros também.
Em 1994 ainda tentaram recomeçar, mas somente dez anos depois, em 2004, conseguiram se reunir e gravar Brincando com o tempo. “Vimos a força do movimento manguebeat e achamos que seria um bom momento para voltar, já que a mídia e as pessoas estavam mais atentas às produções locais”, conta Cacá Barreto, baixista e produtor do disco.
Com cada integrante cuidando da carreira solo, ficava difícil conseguir dedicação exclusiva para tocar as gravações, iniciadas em 2005 e só finalizadas em 2009. “Era difícil administrar o tempo, pois cada um seguiu por um rumo diferente. Sérgio Campello era fotógrafo, André Lôbo ensinava inglês e eu trabalhava com publicidade”, lembra. Em 2015 outras alterações foram feitas e em 2018 o disco finalmente ficou pronto, marcando a retomada da Flor de Cactus.
As 16 canções do novo disco mantiveram arranjos e letras originais, inclusive de músicos que não estão mais no projeto. Após algumas pausas, conseguiram concluir o trabalho ano passado. O som traz a familiaridade com a ciranda, o maracatu e o coco de roda, apresenta percussão marcada, flautas e baixo elétrico.
As letras exaltam a beleza do ordinário da vida no Recife, falam das ruas e das pessoas. Passam também pelo folclore e história da cidade. A segunda faixa, Boi da Boa Hora, traz a narrativa do Bumba Meu Boi de Afogados, Mateus e Bastião. Diário de Nassau conta a viagem do conde holandês ao Recife e o sentimento que desenvolveu pela terra. Regresso e Festejo levam o ouvinte para as bandas do interior e Feirante descreve os elementos característicos das feiras de rua.
O esmero da produção de Brincando com o tempo aparece ainda no encarte, ilustrado por xilogravura e fotos da banda em diferentes épocas. Um trabalho dedicado à memória do percussionista Sérgio Campello (1955 – 2016), cuja homenagem vem justificada no encarte: “Por sua inconfundível personalidade musical e inventividade, que marcaram significativamente a identidade sonora do Flor de Cactus”. Referência amparada pela amizade, marca registrada da banda.