História infantojuvenil que começa com a morte

Criado: Quarta, 19 Dezembro 2018 15:56

História infantojuvenil que começa com a morte

De tão intensos os sentimentos chegam a ocupar espaços gigantescos, como se fossem rinocerontes na sala de estar. A coisa brutamontes fala de amizade e das idiossincrasias de Cícero, um menino de 11 anos que vive um amor por Dona Maria, tantos anos mais velha que ele. O título foi vencedor do III Prêmio Cepe Nacional de Literatura 2017, na categoria infantojuvenil.

A autora, Renata Penzani, jornalista e escritora paulista, começa a narrativa dessa amizade pela despedida, a morte de Dona Maria. O desconforto está representado pela analogia com a figura do rinoceronte, posto no meio da sala (…) “interrompendo o vaivém das pessoas, que agiam como se nada incômodo ocupasse aquele lugar com cheiro de flor; não queriam esticar a vista para nada além do que já conheciam”.

Repórter do Lunetas, Renata Penzani é pesquisadora de literatura infantojuvenil. A escritora descobriu nos livros para a infância o lugar para ancorar suas perguntas sem resposta.

“Prêmios literários como os da (Cepe) Companhia Editora de Pernambuco e outros que validam a produção de Literatura Infantojuvenil no Brasil funcionam como um selo de qualidade que recepciona os livros no mundo com mais atenção e possibilidade de existir. Principalmente para livros como A coisa brutamontes, que tratam dos tais temas difíceis, tabus (muito evitados pela maior parte do mercado editorial para a infância), são os prêmios que muitas vezes acolhem histórias que ficariam restritas às gavetas dos autores. Para mim tem sido uma experiência muito positiva. É como se o prêmio tivesse estendido um tapete vermelho para o meu livro chegar até as mãos dos leitores”, diz a autora.

As ilustrações do designer Renato Alarcão casam perfeitamente com a prosa poética da autora. Apresenta os mesmos tons terrosos nas 44 páginas, ditado pela cor de pele do rinoceronte. Em nenhum momento interfere ou se faz maior que a história, pelo contrário, acompanha a introspecção da narrativa trabalhando com uma única cor.

A coisa brutamontes, seu primeiro livro do gênero, dialoga com a riqueza do universo infantojuvenil a partir de sua capacidade imaginativa. Como elaborar uma história para crianças que começa com a perspectiva da morte? “Mas como eu ia fazer pra superar o longe? Se o perto um dia acaba, longe é para sempre?”

As associações feitas pela autora tornam a leitura apaixonante não só para crianças, mas também para adultos que não perderam a coragem de enfrentar sentimentos do tamanho de uma montanha.

 

SERVIÇO

Preço: R$ 40,00