Durante quase meio século, o escritor, jornalista e advogado Arthur Carvalho escreveu milhares de crônicas para os principais jornais do Recife. Cerca de 200 textos produzidos entre 1994 e 2019 foram reunidos no livro Basta de amargura (Companhia Editora de Pernambuco, 432 páginas). O lançamento será hoje, a partir das 19h, na sede da Academia Pernambucana de Letras, bairro das Graças. “A crônica permite capturar com sensibilidade o lirismo, o drama do cotidiano, questões da cidade, do país e do mundo”, define o autor.
Nos textos, Carvalho passeia entre o coloquialismo e a erudição, abordando vivências pessoais, histórias protagonizadas por outros personagens (reais ou não). Futebol, seu amor pelo mar, mazelas sociais e políticas são alguns temas comuns. Arthur brinca com situações triviais, enquanto também consegue tocar em tabus e polêmicas. Ainda faz referências a ícones da literatura como Fiódor Dostoiévski, Machado de Assis e Ernest Hemingway.
“As palavras têm grande força. Essa força depende da maneira e da forma como são pronunciadas ou escritas”, atesta o autor na crônica Ela não merecia, que aborda o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco.
No prefácio, o poeta e acadêmico Dirceu Rabelo afirma que a força da poética de Carvalho tem “decassílabos heroicos”. “Manuel Bandeira classificava o magistral cronista Rubem Braga como um poeta bissexto. Penso que podemos dizer o mesmo de Arthur Carvalho, que figura na ilustre galeria dos maiores cronistas pernambucanos de todos os tempos, ao lado de Aníbal Fernandes, Valdemar de Oliveira, Mauro Mota, Andrade Lima Filho e Renato Carneiro Campos”, afirma.
Membro da Academia Pernambucana de Letras (APL), Arthur Carvalho nasceu em Salvador (BA), mas fez de Pernambuco sua casa. Entre suas obras estão os livros Um reencontro inesperado (crônicas), Saca-trapo (crônicas) e Barbosa Lima Sobrinho: Monumento vivo (ensaio biográfico).