
Manuel Bandeira sofreu influência de poetas de língua inglesa? Livro responde
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O que há em comum entre o poeta Manuel Bandeira (1886-1968) e escritora Flávia Jardim Ferraz Goyanna (61 anos)? Ambos são pernambucanos. E tanto o saudoso recifense quanto a sertaneja, nascida no município de Floresta, se debruçaram na poética de autores de língua inglesa. Ele tinha admiração por poetas anglófonos, ao ponto de deixar-se influenciar na criação de alguns dos seus poemas.
Ela mergulhou na obra de Bandeira e de autores como o inglês John Keats (1785-1821), o irlandês William Butler Yeats (1869-1939), e o norte-americano Edwuard Estlin Cummings (e.e.cummings, 1927-2019). Tudo para estabelecer os pontos que ligam a criação do pernambucano à dos estrangeiros. O resultado é o livro Afinidades anglófonas em Manuel Bandeira, que será lançado na próxima sexta-feira (23/1), a partir das 19h30m, na Academia Pernambucana de Letras, no bairro das Graças.
O título integra o catálogo de ensaios da Cepe (Companhia Editora de Pernambuco). O evento contará com um bate-papo entre a autora e a escritora Andrea Ferraz. Fruto de trabalho acadêmico realizado em Londres, o livro de Flávia analisa “as relações de Manuel Bandeira com a tradição literária anglófona, notadamente com o Romantismo inglês”, segundo diz a autora. A escritora destaca John Keats (1795-1821) como um dos poetas de língua inglesa que mais impressionaram o pernambucano, entre os demais escritores selecionados para compor a pesquisa. Essa não é a primeira incursão da escritora na obra do poeta. Em 1991, ela defendeu dissertação“O Lirismo Anti-Romântico em Manuel Bandeira”para conclusão de mestrado em Teoria da Literatura na Universidade Federal de Pernambuco. No ano de 1992, ganhou bolsa de estudos no King’s College da University of London. E, em Londres, surgiu a ideia de escrever o livro, mostrando a relação de Bandeira com nomes mais representativos da poesia anglófona.”
Ela explica que a predileção de Bandeira pela obra do romântico oitocentista (Keats) já foi expressamente manifesta na Reportagem Literária de Paulo Mendes Campos,quando Bandeira afirma: “Meus poetas prediletos? É muito fácil responder a esta pergunta. Depende da hora, das circunstâncias. (…) na Inglaterra, entre os românticos, Keats; entre os modernos, talvez Yeats”. E afirma Flávia, em determinado trecho do livro: “Com efeito, tal predileção reflete-se explicitamente num poema onomástico do Mafuá do malungo (Manuel Bandeira, 1948)”.
Manuel Bandeira, poeta da primeira geração do modernismo brasileiro, foi também professor de literatura, tradutor, crítico literário e crítico de arte. Autor de “Vou-me embora pra Pasárgada”, “Os Sapos”, “Cartas de Meu Avô” e “A Estrela“, entre outros poemas, sofreu de tuberculose. Assim como John Keats, que viveu apenas 25 anos.
Pernambucano do Recife, Manuel Bandeira levou para os versos a temática cotidiana, a angústia e a melancolia. Flávia Jardim Ferraz Goyanna é pernambucana de Floresta do Navio, cidade localizada no Sertão do São Francisco, a 439 quilômetros do Recife. Recebeu o Prêmio Joel Pontes de Ensaio em 1991, com “O Lirismo Anti-Romântico em Manuel Bandeira”, publicado pela Cepe em 1994. Vivendo em Londres desde 1992, atua como Public Service Interpreter prestando serviços ao governo britânico nas áreas de imigração, saúde pública, serviços sociais, sistema judiciário e polícia civil.
Serviço
Lançamento de Afinidades anglófonas em Manuel Bandeira
Data: 23.01.2023
Horário: 19h30
Local: Academia Pernambucana de Letras
Endereço: Av. Rui Barbosa, 1596, Graças
Preço: R$ 60,00 (impresso)
Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Alepe Acervo #OxeRecife (Manuel Bandeira) e Divulgação/ Cepe
Fonte: Blog OxeRecife